A esperança de conseguir a libertação de uma jovem grávida detida pelas autoridades de imigração dos Estados Unidos terminou em frustração e uma suspeita de fraude. A família de Maria Alejandra Gomez-Quiroz, colombiana de 21 anos e grávida de cinco meses, afirma ter pago mais de US$ 3 mil a uma pessoa que se apresentava como advogado de imigração, acreditando que o dinheiro ajudaria a tirá-la da detenção.
Maria permanece sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no South Texas Family Residential Center, em Dilley, Texas, segundo reportagem da ABC News.
A irmã da jovem, Kelly Ocampo, contou que a família utilizou suas economias para pagar o suposto advogado. O objetivo era conseguir uma fiança e permitir que Maria aguardasse fora da detenção enquanto seu caso migratório avançava.
Depois do pagamento, a família recebeu um documento que aparentava ser oficial, com identificação relacionada ao ICE, indicando que uma fiança migratória teria sido aprovada e paga por um método autorizado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).
Para Kelly e seus familiares, aquilo significava que a libertação estava próxima.
Mas Maria não saiu da detenção.
Com o passar das semanas e sem a libertação prometida, a família começou a perceber que poderia ter sido enganada. À ABC News, Kelly classificou o episódio como uma fraude. A emissora informou que tentou entrar em contato com a pessoa apontada pela família como responsável pelo suposto golpe, mas não obteve resposta.
Por isso, até que haja uma conclusão oficial das autoridades, o caso deve ser tratado como uma alegação de fraude feita pela família, e não como uma condenação criminal já estabelecida contra a pessoa acusada.
Segundo as informações divulgadas, Maria foi detida pela Patrulha de Fronteira em junho, depois de chegar aos Estados Unidos.
A família afirma que ela e o companheiro deixaram a Colômbia após enfrentarem ameaças e violência relacionadas a grupos guerrilheiros e pretendiam solicitar proteção nos Estados Unidos.
O Departamento de Segurança Interna apresentou uma versão sobre a situação migratória da jovem. Segundo o governo, Maria foi condenada por entrada ilegal em 6 de julho e posteriormente permaneceu sob custódia do ICE enquanto seu processo de remoção seguia em andamento.
Quando a reportagem foi publicada, Maria estava detida havia mais de 40 dias.
Além da situação migratória, a gravidez tornou a permanência de Maria no centro de detenção motivo de preocupação ainda maior para seus familiares.
Kelly relatou que a irmã vinha sentindo dores na parte inferior do abdômen durante a detenção. A família teme que o longo período sob custódia possa afetar seu bem-estar durante a gestação.
Em resposta aos questionamentos sobre assistência médica, o DHS afirmou que pessoas sob custódia do ICE recebem atendimento médico desde o momento em que entram no sistema de detenção.
A situação de Maria também reacende o debate sobre a manutenção de mulheres grávidas em centros de detenção migratória.
Segundo informações citadas pela ABC News, legisladores que acompanham as condições no centro de Dilley disseram que havia pelo menos 500 pessoas detidas no local, incluindo quatro mulheres grávidas.
Diretrizes do próprio ICE estabelecem restrições à detenção de pessoas grávidas, no pós-parto ou durante a amamentação, embora existam exceções em determinadas circunstâncias.
O caso de Maria chama atenção ainda para outro problema enfrentado por famílias de imigrantes: a vulnerabilidade diante de pessoas que prometem soluções rápidas para processos migratórios complexos.
Quando um parente é preso, familiares frequentemente precisam lidar simultaneamente com centros de detenção, audiências, pedidos de asilo, processos de deportação e contratação de representação jurídica. A urgência para conseguir a libertação pode criar oportunidades para golpes e serviços fraudulentos.
No caso de Kelly, a expectativa era de que os mais de US$ 3 mil pagos representassem o caminho para trazer a irmã grávida de volta à família. Em vez disso, segundo seu relato, o dinheiro desapareceu e Maria continuou detida.
Agora, enquanto a jovem permanece sob custódia no Texas e aguarda o andamento de seu processo migratório, sua família enfrenta duas batalhas: tentar conseguir sua libertação e descobrir quem recebeu o dinheiro que acreditavam estar pagando para ajudá-la.





