Por Anna Tygrezza Rodrigues
Nascida em Porto Príncipe, no Haiti, Sua Excelência, a Princesa Magalie Jean-Michel Kpolidji, mudou-se para os Estados Unidos aos cinco anos e cresceu em Medford, Massachusetts. Sua formação reúne Administração de Empresas, Estudos Paralegais e Design de Interiores. Sua trajetória profissional, por sua vez, estende-se da iniciativa privada à defesa dos direitos civis, com atuação em instituições como a Boston NAACP, a Massachusetts Commission Against Discrimination e o Greater Boston Real Estate Board. Atualmente, como Princesa e Embaixadora Real do Reino de Allada, conecta Benin, Haiti e Estados Unidos em uma missão de resgate histórico e união da diáspora africana. Entrevistada pela jornalista Anna Tygrezza Rodrigues no podcast Algo a Dizer, na última quarta-feira, a Princesa Magalie compartilhou detalhes marcantes de uma jornada que revela a força de uma mulher para quem o título real representa, sobretudo, uma missão de vida dedicada à promoção da dignidade e da justiça. A entrevista ao vivo da princesa do Haiti vc poderá asssitir ao vivo através do site do BTTV: www.braziliantimestv.com ou www.braziliantimes.com/tv ou baixando o aplicativo do Brazilian Times em seu celular ou sua smart TV. Todos os dias essa semana e a semana q vem à partir desta sexta feira às 7PM.
BT — Sua formação abrange áreas bastante diferentes. Como esses estudos contribuíram para a líder que a senhora se tornou?
Princesa Magalie — Cada área foi um degrau. Pensei em cursar Direito porque sempre tive um forte senso de justiça e o desejo de representar minha família. Os Estudos Paralegais fortaleceram minha formação jurídica; a Administração preparou-me para os negócios; e o Design de Interiores nasceu do meu amor pela arte, pela história e pela arquitetura. Consegui incorporar as habilidades adquiridas em cada instituição ao mercado imobiliário e à defesa dos direitos habitacionais.
BT — O que despertou seu envolvimento com a justiça habitacional?
Princesa Magalie — Minha própria experiência. Fui beneficiária do Section 8 e sofri discriminação habitacional em diferentes níveis. Mais tarde, participei de conselhos nos quais se discutiam os beneficiários do programa sem que ninguém soubesse que eu havia vivido aquela realidade. Eu falava com conhecimento direto, desde minha experiência com o voucher até minha entrada no mundo dos negócios e nas salas de decisão. Esse foi o catalisador da minha atuação.
BT — Por que a educação continuada sobre fair housing precisava tornar-se obrigatória para os profissionais imobiliários?
Princesa Magalie — Quando comecei, o treinamento era exigido apenas na obtenção da licença. Depois disso, não havia capacitação obrigatória. Enfrentei proprietários, corretores e outros profissionais que violavam as leis de fair housing e fui desafiada ao apontar essas práticas. Começamos então um movimento para combater a discriminação. Hoje, esse treinamento é necessário para renovar a licença. Não posso dizer que o problema foi totalmente resolvido, mas houve progresso: mais pessoas reconhecem seus direitos e conseguem reagir quando eles são violados.
BT — Por que transformar o Section 8 em caminho para a casa própria?
Princesa Magalie — O Family Self-Sufficiency Program permite que participantes economizem durante cinco anos e se preparem para essa transição. Quando concluí o programa, recebi um cheque de 40 mil dólares, o segundo maior concedido até então. Minha mensagem é: procure seu caseworker e pergunte quais opções existem. Em vez de transmitir um voucher aos filhos, por que não transmitir um imóvel?
BT — Como Haiti, Estados Unidos e Benin se encontram em sua identidade e missão?
Princesa Magalie — Nasci no Haiti e me lembro de coisas grandiosas e da importância do país. Contudo, sua história não é devidamente contada. Cresci aprendendo sobre Napoleão sem saber que, segundo a história da minha família, minha própria linhagem havia participado de sua derrota. Minha avó não falava sobre nossa ancestralidade como forma de proteger essa linhagem. Somente quando nos tornamos adultos começamos a investigar e compreender os detalhes. Vivo nos Estados Unidos desde que deixei o Haiti. Recebi aqui toda a minha educação, adaptei-me ao país e meus filhos são americanos. Já Benin representa a reconexão com as raízes de minha família. Depois de receber a bênção de minha avó para retomar o nome familiar, viajei ao Reino de Allada, encontrei-me com o rei e fui reconhecida como princesa. Agora, está sendo desenvolvida uma missão para conectar haitianos de diferentes partes do mundo a Benin, permitindo que conheçam e rastreiem suas raízes africanas.
BT — O que espera do Notable Brazilian Awards 2026?
Princesa Magalie — Quero conhecer pessoas e líderes que causaram impacto em suas comunidades, criar conexões e descobrir como podemos colaborar. Massachusetts possui uma grande comunidade brasileira, e eu já conheço e aprecio sua culinária. Minha principal mensagem, porém, é a unidade. Há divisão demais no mundo. Precisamos acolher uns aos outros e aprender a trabalhar juntos, porque liderança não tem cor nem nacionalidade. O denominador comum da humanidade é o amor.





